Exercícios físicos e autismo

 

Artigo original: “Effects of physical exercise on AutismSpectrum Disorders: A meta-analysis”

Autores: Michelle Sowa, Ruud Meulenbroek

Revista de Publicação: Elsevier e Sciene

Data: January–March 2012

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1750946711001516

 

É de conhecimento geral que o exercício físico regular pode trazer diversos benefícios à saúde física e mental, mas quais são os benefícios específicos do exercício físico aos autistas?

A pesquisa que abordamos nesse post analisou 16 estudos sobre esse tópico, avaliando um total de 133 crianças e adultos autistas que receberam atividades físicas regulares de forma individual e em grupo.

As dificuldades motoras comuns do autismo não foram levadas em conta na análise dos benefícios do exercício físico para portadores de TEA.

Notou-se que aqueles que receberem acompanhamento individual durante a prática de atividades físicas tiveram progresso significativo e maior do que aqueles que foram acompanhados dentro de grupos. Esse progresso contou até mesmo com melhoras nas habilidades sociais. 

Embora o tamanho geral da amostra fosse pequeno, os resultados combinados permitem a conclusão provisória de que, em termos de desempenho motor e habilidades sociais, crianças e adultos com TEA se beneficiam mais de intervenções de exercícios individuais. Vale ressaltar que, antes de alterar a sua rotina de exercícios físicos ou a de um autista do seu convívio, é ideal buscar a opinião de um especialista em TEA.

Terapia ABA é efetiva?

 

Artigo original: “The effectiveness of applied behavioranalytic interventions for children with Autism Spectrum Disorder: Ameta-analytic study”

Autores: Maria K. Makrygianni, Angeliki Gena, Sofia Katoudi, Petros Galanis

Revista de publicação: Science e Elsevier

Data de publicação: July 2018

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1750946718300485?via%3Dihub

 

É de conhecimento geral que a Terapia ABA é uma intervenção amplamente implementada para os portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Muitos estudos e profissionais recomendam a ABA, já que ela mostra resultados altamente eficazes. No entanto, alguns pesquisadores discordam da intensidade desses resultados. A pesquisa que abordaremos nesse post analisou criticamente os efeitos da Terapia ABA em indivíduos autistas.

Essa análise foi feita a partir de 29 estudos previamente publicados. Avaliou-se a melhora dos pacientes a partir dos seguintes critérios:

-testes verbais e nãos verbais de QI

-expressão e recepção da linguagem na comunicação

- adaptação comportamental

Esta avaliação ocorreu por meio de comparações de resultados pré e pós-intervenção ABA.

 

Os resultados indicaram que os programas ABA são moderadamente a altamente eficazes, trazendo benefícios significativos para crianças com ASD nas áreas acima mencionadas. De forma mais específica, eles foram

muito eficazes na melhoria das habilidades intelectuais,

moderadamente a muito eficaz na melhoria das habilidades de comunicação (linguagem expressiva e receptiva)

moderadamente eficaz em melhorar o QI fornecido por testes não verbais,

e teve baixa eficácia na melhoria das habilidades de vida diária.

Vale ressaltar que os resultados desse estudo são fruto da análise de um pequeno grupo de pessoas em localidades específicas. Antes de alterar as intervenções do tratamento de um parente ou conhecido portador do autismo, consulte um especialista em TEA.

Ansiedade social e autismo

 

Artigo original: “Social anxiety in autism spectrumdisorder: A systematic review”

Autores: DebbieSpainab,  Jacqueline Sinc,  Kai B.Lindera,  Johanna McMahond,  Francesca Happéa

Revista de publicação: Science

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1750946718300643

 

A ansiedade social é comum entre os portadores do Transtorno do Espectro Autista.

A pesquisa que abordamos nesse post analisou 24 estudos (25 artigos) previamente publicados que abordavam a relação entre a ansiedade social e o autismo.

 Esses estudos foram realizados nos Estados Unidos (13), Reino unido (4), Holanda (2), Japão (1), Australia e Taiwan (1), Israel (1), Suécia (1) e Singapura (1) .

Concluiu-se que a ansiedade social em indivíduos portadores de TEA é relacionada às dificuldades sociocomunicativas, dificuldades de compreensão de comandos e motivação social reduzida.

Não foi encontrada relação entre a ansiedade social e os comportamentos repetitivos e sensibilidades sensoriais comuns do espectro autista.

Mais estudos, empregando desenhos qualitativos e quantitativos, são necessários para aumentar a compreensão dos mecanismos causais, de manutenção e de proteção para AS em ASD.

Obesidade dos pais e desenvolvimento do autismo nas crianças

 

Artigo original: “Parental obesity and risk ofautism spectrum disorder”

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24709932/

Autores: Pål Surén Nina Gunnes Christine Roth Michaeline Bresnahan Mady Hornig Deborah Hirtz Kari Kveim Lie W Ian Lipkin Per Magnus Ted Reichborn-Kjennerud Synnve Schjølberg Ezra Susser Anne-Siri Oyen George Davey Smith Camilla Stoltenberg 

Revista de publicação: PubMed.gov

 

O estudo que vamos citar nessa postagem investigou a relação entre a obesidade dos pais e o risco do desenvolvimento do autismo nas crianças.

Foram analisados dados de 92 909 crianças norueguesas de 4 a 13 anos, das quais 419 foram diagnosticadas portadoras do Transtorno do Espectro Autista.

Considerou-se obeso o indivíduo que apresentava Indice de Massa Corporal maior que 30 (IMC≥30)

Concluiu-se que a relação entre a obesidade materna e o autismo da criança era baixa.

Já a obesidade paterna mostrou os seguintes dados para o desenvolvimento de autismo moderado e grave nos filhos:

0,27% (25 de 9267) em filhos de pais obesos

0,14% (59 de 41 603) em filhos de pais com peso padrão

Já para o autismo leve (citado no estudo ainda como Síndrome de Asperger), analisou-se apenas pais de crianças com menos de 7 anos de idade, e foram coletados os seguintes números:

0,38% (18 de 4761) em filhos de pais obesos

0,18% (42 de 22 736) em filhos de pais com peso normal

Vale ressaltar que as conclusões desse estudo não são universais, já que foi avaliado um grupo pequeno de crianças e pais e em uma localidade específica. Consulte com seu médico antes de tomar atitudes em relação ao seu peso e/ou arquitetar hipóteses sobre o diagnóstico de um autista do seu convívio.

Autiamo e uso de remédios para asma na gravidez

 

Artigo original: “In utero exposure to ritodrine during pregnancy andrisk of autism in their offspring until 8 years of age”

Revista de publicação: Nature

Autores: Jungsoo ChaeGeum Joon ChoMin-Jeong OhKeonVin ParkSung Won HanSuk-Joo ChoiSoo-young Oh, Cheong-Rae Roh 

O estudo que vamos abordar nesse post relaciona o uso de medicamentos para a asma (ritodrina) durante a gravidez com o desenvolvimento do autismo na criança.

A análise foi feita usando dados coletados na Coreia do Sul entre os anos de 2007 e 2008. Participaram do estudo 770 016 mães, das quais 30 959 foram expostas ao medicamento ritodrina durante a gravidez.

Dessas mães, 5583 dos filhos foram diagnosticados com autismo até os 8 anos de idade. Concluiu-se que o risco de desenvolvimento de autismo em filhos de grávidas usuárias de ritodrina é de 1,37%, e em grávidas não usuárias é de 0,70%.

(Esses números não consideram um segundo fator analisado: o parto prematuro)

Analisando também os números de partos prematuros relacionados ao uso de ritodrina e ao desenvolvimento do autismo, foram indicadas as seguintes porcentagens de probabilidade de desenvolvimento do TEA nas crianças:

Em partos prematuros: 2.43%

Em partos prematuros de mães que usam ritodrina: 3,70%

Em partos em tempo normal: 0,66%

Em partos em tempo normal de mães que usam ritodrina: 0,85%

Vale ressaltar que esse estudo não apresenta conclusões universais, já que é analisado apenas um pequeno grupo de grávidas em um país específico. Consulte seu obstetra antes de alterar suas medicações durante a gravidez.